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Início » 2014 » Junho » 11 » Alunos desrespeitam e maltratam professores
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Alunos desrespeitam e maltratam professores

Profissionais falam sobre mudança de comportamento no ambiente escolar e como a família pode contribuir para minimizar esses problema

O comportamento dos alunos no ambiente de ensino tem se tornado tema cada vez mais frequente em reuniões pedagógicas. A tentativa é o resgate de valores, que, devido a vários fatores, se perderam no tempo. Valores familiares, respeito ao próximo e educação, não a técnica, mas a comportamental.

O psicólogo Alex Brito explica o que pode ter causado esta mudança. “O que pode justificar ou explicar cientificamente são as mudanças sociais que o mundo tem sofrido. O comportamento pode ser explicado conforme vários eixos, entre eles, o genético e o cultural, este inclui o tipo de relação entre as pessoas e a sociedade. E o que podemos observar é que a relação entre familiares e crianças, pré-adolescentes ou adolescentes mudou muito”, disse.

Ele explicou que para abordar o tema é preciso considerar a participação de todos os envolvidos neste fenômeno: pais, crianças e professores. Para ele, a família tem grande participação na construção do comportamento. “O que podemos observar é uma grande degradação dos valores familiares. Os pais estão com uma função diminuída na educação dos filhos; não a técnico científica, mas a informal, que inclui o repasse de valores e noções do que é certo e errado. Os pais estão mais permissivos e isso faz com que seus filhos fiquem confusos no que se refere a limites. A criança que não aprende a respeitar os pais como autoridade terá dificuldades para respeitar a figura do professor.”


Papel do estado 

Cleudinar Cardoso, psicopedagoga da Secretaria de Estado da Educação (SEED), informou que, a partir do momento em que a escola identifica o caso, é iniciada a intervenção. “Primeiro, tentamos a conciliação na própria escola, para que a situação não se agrave. Caso não seja possível, a Secretaria oferece atendimento psicossocial para trabalhar a relação afetada. Nossa orientação é nunca confrontar, pois isso nunca ajuda, só incita violência.”

Cleudinar afirmou que, periodicamente, são realizadas reuniões pedagógicas para discutir a implantação e execução de atividades que possam auxiliar na relação professor-aluno: “Projetos como o ‘Antidrogas’, ‘Bullying’, ‘Como educar os pais?’ e ‘Cultura de Paz’ são exemplos de atividades que visam minimizar a crescente onda de violência nas unidades de ensino. Interferir na mudança de comportamento e fazer que o aluno repense suas atitudes é envolvê-lo no processo ensino-aprendizagem e o professor é o mediador, analisando as possíveis causas do comportamento do aluno”.

De acordo com a SEED, a rede pública estadual de ensino tem 61 escolas, nas quais estão distribuídos mais de 76 mil alunos. Conforme dados da Secretaria, no período de 2011 a 2014 foram registrados 49 casos de violência (verbal ou física) envolvendo alunos da rede estadual de ensino, 12 ocorrências de alunos contra professores e uma de professor contra aluno. “Os dados são referentes às ocorrências informadas à Secretaria”, ressaltou Cleudinar.

Quem convive diariamente com alunos percebe que a harmonia no ambiente de ensino mudou e que, eventualmente, ocorre resistência tanto para o aprendizado quanto para o comportamento adequado em uma sala de aula. Maria Sônia Pereira, que trabalha há 18 anos na área de educação, fez uma avaliação destes anos de trabalho como professora. “Quando comecei a lecionar, os alunos eram mais recíprocos, tanto ao conteúdo transmitido, quanto em relação a respeito; eu era tida como alguém importante. Hoje, é muito comum o profissional ser tratado como ‘colega’. Além disso, precisamos redobrar os cuidados para não sermos mal interpretados em uma situação simples do dia a dia, como chamar atenção quando o aluno está se comportando de maneira inadequada ou, ainda, ao solicitar atividades com prazos pré-estabelecidos. Eles apresentam muita resistência às regras.”

Para Sônia, boa parte dos problemas poderia ser resolvida com o acompanhamento da família ao rendimento escolar dos alunos. “Grande parte das famílias não acompanha o desenvolvimento dos filhos na escola.”

Professor há quase 19 anos, Richard Lima da Silva lembra-se de um caso vivido por ele e afirmou que as ocorrências são frequentes nas unidades de ensino. “A falta de respeito com os educadores é evidente. Conheço vários colegas que têm relatos sobre o assunto. Eu mesmo vivi uma situação inesquecível há alguns anos. Por discordar da metodologia de uma atividade pedagógica escolar, a aluna me insultou com vários palavrões. Foi um fato marcante, mas depois de algum tempo ela se retratou”, comentou.

Anne Kerlly Thomé Bríglia leciona há três anos e, nesse pouco tempo, já passou por algumas experiências desagradáveis. “Um dia, ao chamar a atenção de um aluno que não se comportava bem em sala de aula, fui surpreendida. Ele cuspiu no meu rosto e me chutou. Eu não esbocei reação, pois não esperava aquela atitude”, desabafou a professora.


Conselho Tutelar quer prevenir ocorrências

diador de conflitos e direcionador. O conselheiro Ramon Jocélio da Silva comentou que o atendimento feito no Conselho é de primeira linha, no sentido de garantir e promover direitos. “Ao recebermos as denúncias, notificamos os pais dos alunos, solicitamos relatório da unidade de ensino e tentamos conciliar o conflito. Se não conseguimos resolver o problema, partimos para os encaminhamentos e, em último caso, conduzimos a situação para Ministério Público.”

No ano passado, o Ministério Público de Roraima (MPRR), por meio das Promotorias de Justiça de Defesa dos Direitos das Pessoas com Deficiência e Idoso; Direito à Educação – Pro-DIE e Promotoria de Justiça da Infância e Juventude, expediu notificação recomendatória para as secretarias Municipal e Estadual de Educação.

O objetivo é prevenir a ocorrência de violência nas escolas e, também, acolher os gestores, com o objetivo de desmitificar a crença de que adolescentes infratores e indisciplinados não podem ser responsabilizados.

As unidades de ensino são orientadas a apresentarem e debaterem o conteúdo do regimento escolar, incluindo-o como material didático da escola, para conhecimento e manuseio por parte dos pais e alunos, bem como para que, nas situações de atos infracionais ou de indisciplina praticados pelos alunos nas dependências dos estabelecimentos de ensino, sejam seguidas algumas recomendações.

Entre as indicações está a análise individual dos casos com base na gravidade, para que o encaminhamento correto seja feito. A recomendação foi elaborada a partir de fatos concretos acompanhados pelas promotorias e motivada pelas notícias recorrentes de violência praticada por crianças e adolescentes nas escolas de Roraima.


Repercussão nacional

Caso recente chamou atenção da imprensa nacional. Uma ação judicial inédita, na cidade de Tobias Barreto, em Sergipe, tomou repercussões no início deste mês, quando o juiz substituto Eliezer Siqueira de Sousa Junior, da 1ª vara Cível e Criminal da cidade, negou dano moral a aluno que processou o professor após ter o seu celular tomado em sala de aula.

O menor, representado pela mãe, ajuizou ação para pleitear dano moral, para reparar seu “sentimento de impotência, revolta, além de enorme desgaste físico e emocional”. Para o magistrado, não houve abalo moral, uma vez que o aluno não utilizava o aparelho para trabalhar, estudar ou qualquer outra atividade. De acordo com os autos, o docente retirou o aparelho do aluno, que ouvia música com fones de ouvido durante a aula.

O juiz reiterou que o aluno descumpriu norma do Conselho Municipal de Educação, que veda a utilização de celular durante o horário de aula, além de desobedecer, reiteradamente, o comando do professor. “O professor é o indivíduo vocacionado a tirar outro indivíduo das trevas da ignorância, da escuridão, para as luzes do conhecimento, dignificando-o como pessoa que pensa e existe”, disse o juiz.


Crime de desacato

O Artigo 331 do Código Penal determina pena de detenção de seis meses a dois anos, ou multa, para quem desacatar funcionário público no exercício da função ou em razão dela. A agressão verbal, física ou mesmo psicológica ao professor em sala de aula, ou mesmo fora dela, pode configurar crime.  (S. S.)

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